"Nosso escritório reuniu evidências que comprovam ordens dadas pessoalmente por Kadafi, evidências diretas do recrutamento de mercenários por Saif al Islam e provas da participação de Al Senussi em ataques contra manifestantes", destacou Moreno-Ocampo, que disse ter analisado mais de 1.200 documentos e entrevistado 50 testemunhas. A promotoria também conseguiu comprovar que o general organizou três reuniões para planejar as operações e usou sua "autoridade absoluta" para cometer crimes no país.
Os juízes do TPI ainda podem decidir se aceitam o pedido do promotor, rejeitam ou solicitam informações adicionais para a investigação, que foi iniciada em março por crimes de guerra que teriam sido cometidos na Líbia desde fevereiro contra oito personalidades, entre elas os três acusados. Segundo o promotor do TPI, desde fevereiro milhares de pessoas foram mortas pelo regime de Kadafi.
Detenções - O TPI, que é o primeiro tribunal permanente encarregado de julgar os autores de genocídios, crimes contra a humanidade e crimes de guerra, não possui forças policiais e depende de seus países membros para realizar detenções. Porém, todos os países que fazem parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que realiza a intervenção na Líbia, ratificam o estatuto do tribunal. Ou seja, as tropas da Otan têm a obrigação deter Kadafi, seu filho e o chefe dos serviços de inteligência de seu regime.
O governo líbio já afirmou que vai ignorar o anúncio. O ministro do Exterior, Khalid Kaim, disse que as práticas do TPI são questionáveis e que o tribunal é um “filhote da União Europeia”.
Horas contadas – Pouco antes do anúncio do pedido de prisão contra Kadafi, o ministro de Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, afirmou que o ditador havia começado a procurar um lugar para se retirar e "desaparecer para sempre" da cena pública.
Em declarações ao Canale 5, propriedade do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, Frattini também disse que o regime líbio "tem as horas contadas" e que as suas ameaças não são mais do que a última tentativa desesperada de atemorizar.
"Trabalhamos para que se encontre uma via de saída política que tire de cena o ditador e sua família e permita a constituição de um Governo de reconciliação nacional", acrescentou o ministro.
(Com agências France-Presse e EFE)
Tags: crimes contra humanidade, detenção, kadafi, líbia, tpi.


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